Estou em casa da avó Isaura, ela está a dar os retoques finais no bolo de bolacha que fez especialmente para mim, ela sabe que adoro o sabor da cobertura que ela faz...o avô está lá fora, cansado já se encosta a qualquer sitio para repousar, tenho pena de não gostar deste sitio o suficiente para conseguir passar cá mais tempo, ás vezes arrependo-me de não ter passado cá mais tempo, agora o avô está doente e temo que a próxima vez que eu cá voltar ele possa ter partido.
Agrada-me bastante olhar a janela do quarto e vê-la enfeitada de gotas de água, ver a estrada de terra batida molhada pela chuva e o céu negro, mas não me agrada o frio que entra pelas falhas que a madeira da janela já tem, procurei todos os cobertores possíveis dentro da arca velha que está em frente à cama e claro, tapei-me dos pés ao pescoço.
O vento sopra com tudo o que tem e tenta irromper pela porta velha do quarto, ela abana e eu assustada puxo os cobertores até tapar a cara e deixo-me ficar durante algum tempo assim, à espera que a minha avó me chame para comer uma fatia ou duas de bolo e beber aquele leite com café aquecido na fogueira.
Ela chama-me... Levanto-me rapidamente e corro para a cozinha, mal entro já me cheira a café, cheiro agradável, sento-me no cadeirão em frente à lareira e espero que a minha avó me traga o lanche desejado, ela coloca tudo num tabuleiro e entrega-me, de seguida sentou-se cansada no sofá, notava-se na maneira em como ela deixou cair o corpo que naquele dia ela não tinha ainda parado quieta.
Adoro a minha avó, a cada trinca que dava no bolo conseguia sentir o doce abraço dela e a boa vontade com que ela faz tudo pelos netos.

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