E aquela noite?
Quando perdi a cabeça e me desencontrei mais uma vez? Só que daquela vez foi diferente, perdi-me bem, perdi-me sozinha, perdi-me acompanhada de mim, e sem mais nem menos perdi a noção da realidade e aos poucos e devagar entrei no mundo que eu outrora tinha criado, voltei a encontrar-me com a parte boa do meu imaginário e foi tão bom, tão agradável. Agradável como o vento que me roçava a cara e despenteava os cabelos que se iam emaranhando em nós complicados, mas para descomplicar eu não me importei com isso e deixei-me correr por aquela rua fora, e corri, corri tanto que senti no fim até os lábios cortados do vento e todo o meu corpo trémulo do frio. Mas na teimosia de continuar no meu mundo, não quis deixar aquela fantasia e quando parei de correr, respirei bem fundo, soltei todo o ar que tinha em minha posse, despi medos e pintei-me de coragem, levantei a cabeça em direção ao céu...
Na tentativa de reencontrar-me e tomar rumo, recomecei a correria e lancei-me mais uma vez naquela rua, naquela noite, percorri cada pedaço da calçada a tentar achar razão ou lógica, mas nada... Parei mais uma vez, desta vez respirei fundo e sentei-me no chão a tentar ouvir e descobrir novos sons, á procura de me encher de curiosidade... Sentada naquele chão frio, naquela noite gelada procurava razão e apercebi-me de algo que ainda não tinha corrido para encontrar, então levantei-me, apoiei as mãos naquela parede cheia de sombras em que estava encostada e levantei-me rapidamente, esfreguei uma mão na outra de modo a aquece-las e lá fui eu, corri e corri e não chegava lá, aquilo escapava-me por entre os dedos, se me parecia finalmente que a tinha, era ilusão, então continuei a tentar, mas as minhas mãos estavam inquietas, geladas e sem condições para conseguir alcançar tal coisa, agarrá-la e mantê-la, se eu finalmente a tinha para mim era por segundos e depois lá via eu a felicidade a  teimar em não gostar de ficar comigo.

Comentários

Mensagens populares