Sabes que no fundo sempre tive medo de ficar sem ti, de perder os nossos momentos, de certa maneira habituei-me a ti e a tua ausência sempre me perturbou afinal.
E agora eu mandei-te embora, sem saber bem porque o fiz, mas na esperança de não te magoar...
Recostada no meu sofá, na minha sala, onde há bem pouco tempo estávamos os dois, relembro algo, sempre gostei de fazer de ti o meu colchão predileto, e se quando estava contigo, preferia aninhar-me em ti do que vestir mais um casaco ou tapar-me com uma manta, era porque o calor do teu corpo me confortava e a textura da tua pele me acalmava.
Se enquanto estávamos deitados na cama, enrolados em cobertores eu me chegava a ti e entrelaçava os meus pés nos teus, era apenas por querer cada parte de ti entrelaçada em mim, até mesmo os pés que pouco ou nada gosto, para que percebas que até as coisas que menos gosto eu tolerava, mas só em ti.
Se quando saía do duche, pegava no meu pente de dentes largos e me chegava a ti e te olhava com um olhar de mimo, era mesmo porque me sentia mimada quando com todo o cuidado me tiravas o pente da mão e de seguida me penteavas com toda a delicadeza e eu sentia que até cada madeixa de cabelo minha era para ti importante e merecia todo o teu carinho.
Se a cada abraço dado eu te apertava até quase te esmagar, era porque te queria mais perto e apertava-te para contrariar a tristeza e a dor que sentia ao saber que aquele abraço não podia durar muito.
Se de vez em quando te mimava com coisas que pareciam ser insignificantes, era para te tentar dar pistas de algo que gostava que me retribuísses, mas não creio que tenha resultado.
Se não te dizia constantemente um "amo-te", era apenas porque eu sentia mais que isso, algo tão complexo, mas tão simples, ainda ando á procura da palavra certa que eu te poderia eventualmente dizer enquanto te olhava nos olhos e lá deixava um sorriso escapar em jeito de teu espelho.
Quero que saibas que se não durou mais, não foi por não te amar mais, não foi por defeito teu (apesar de saber que os tens assim como eu), foi por não ter mais condições de te oferecer o que no passado ofereci, foi por não ter qualquer tipo de condições para amar tanto.
Resta-me pouca força e motivação agora, e não permitirei que convivas com o Monstro em que me tenho vindo a transformar, nem por sombras.
Só peço desculpas por te ter deixado pensar que eu era a certa para ti, e lamento que tenha deixado que sonhasses com um futuro ao lado de alguém como eu.

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